Incerteza e destino

Mário Azevedo confessa à Folha Esportiva: “estou desiludido” (Foto Reprodução / Acervo Memorial)

Mário Azevedo era o Presidente do G. E. Renner quando o clube foi extinto, em 12 de março de 1959. Dias depois, ainda acometido pela emoção, Mário concedeu uma entrevista ao jornal Folha Esportiva, evidenciando todas as suas tristezas e incertezas.

Entre outras declarações, o Presidente assim se manifestou: “Estou desiludido. Tanto trabalho, tanto esforço, pra nada”.

“No Renner sempre se trabalhou ativamente. Era uma diretoria de atividade. Fui dois anos Vice-Presidente e dez anos Presidente. Era um ideal. Mas não adianta chorar amargura. É melhor, mais conveniente, não falar mais neste assunto”.

“Sobre os jogadores: eles estão liberados para manterem entendimentos que acharem convenientes. Não há distinção entre os clubes. Procurem o que lhes aprouver”.

“Fui procurado por muitos clubes sobre diversos jogadores. Fiz o preço do passe, mas terá que ser homologado pela reunião da diretoria e conselho deliberativo. Depende dos jogadores, o Renner não fará leilão. O jogador escolhe”.

“Pretendia demitir-me, mas voltei atrás”.

“Quem vai resolver este problema com os jogadores? Existem 26 jogadores contratados pelo Renner. É preciso solucionar todos os casos”.

O futuro dos jogadores era algo que preocupava o Presidente. Aos poucos, no entanto, sem muita dificuldade, cada atleta foi encontrando um destino. Afinal, qual treinador não gostaria de algum jovem craque recém lançado das categorias de base do G. E. Renner no seu time? Qual Presidente não desejaria algum dos “brotos do Renner” entre seus atletas? Qual clube não gostaria de ter em seu plantel um jogador lançado pelo Prof. Selviro Rodrigues, o comandante da “máquina” rennista?

As capacidades e habilidades físicas, técnicas e táticas dos atletas foram determinantes para que eles encontrassem outros clubes. Em 24 de março, apenas 12 dias após o encerramento das atividades do time dos industriários, todos os jogadores já tinham um novo endereço para realizar seus treinos. Os jogadores rennistas agora estavam espalhados nas casas do Internacional, Grêmio, São José, Aimoré, Floriano, Juventude, Flamengo, Taquarense, Rio Grande, Bagé, Palmeiras e Bangu. Bola pra frente.

Jogadores do G. E. Renner e seus clubes de destino (Foto montagem / Acervo Memorial)
Jogador em pé (esq. para dir.)Clube destino
Valdir de MoraisS. E. Palmeiras
RaulS. C. Internacional
LuisinhoRescisão
MiltonC. E. Aimoré
RenêS. C. Rio Grande
GarciaE. C. Floriano
BonzoS. C. Internacional
GagoC. E. Aimoré
LuizBangu A. C.
OsquinhaS. C. Internacional
DilsonS. C. Internacional
PedrinhoEncerrou a carreira
CidadeRescisão
Raul PuccioE. C. Juventude
MesquitaRescisão
Jogador agachado (esq. para dir.)Clube destino
HenriqueGrêmio F. B. P. A.
RobertoRescisão
EdelfoG. E. Flamengo
Luiz LuzS. C. Internacional
JoeciE. C. São José
BrandãoE. C. São José
AlduínoE. C. Floriano
AugustoG. E. Flamengo
NiloRescisão
CláudioGrêmio F. B. P. A.
HiginoGrêmio F. B. P. A.
LucianoS. C. Taquarense
JuarezG. E. Bagé
RaimundoE. C. São José
JoséC. E. Aimoré
Jogadores e clube de destino após o encerramento das atividades do G. E. Renner

Publicado por rennervive

Uma página dedicada ao Grêmio Esportivo Renner (1931-1959)

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